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Experiência de Nadar em Mar Aberto


Entre meus 13 para 14 anos meu pai tinha uma lancha de 21 pés cabinada. Todo o final de semana íamos para a marina de São Vicente e ele passava o dia dando manutenção naquele transporte que estava prestes a mudar a minha vida.

Costumávamos realizar passeios regulares próximos, porque além do passamento da pesca, tínhamos de testar se os equipamentos estavam funcionando, potência do motor e assim ganhar confiança para irmos mais longe.

Em um dos finais de semana meu pai analisou sua carta náutica e desejou ir para uma praia deserta. Vestimos o colete de salva vidas e ficamos maravilhados com tudo que passava ao nosso redor.

O interessante é que quando você entrar em mar aberto, não é possível enxergar a terra no horizonte. A água que nos cerca é a mesma, mas a quantidade de peixes e o silêncio, são duas características marcantes naquela região. Assim, o uso da bússola e da leitura da carta náutica seriam fundamentais para navegarmos durante o dia e se por acaso anoitecesse, e se tudo falhasse, usaríamos as estrelas.

Se você está achando tudo isso estranho, gostaria de lhe lembrar que não existiam celulares naquela época e o máximo de comunicação que tínhamos era o rádio do barco. E aliás, em tempos mais remotos nem rádio às embarcações possuiam.

Realizamos uma parada para pescar e nos alimentar. Até aquele momento apenas tínhamos visto uma embarcação passar por nós e bem distante por sinal. Não havia mais nada em nossa volta e meu pai disse para eu e meu irmão entrarmos no mar.

OS QUESTIONAMENTOS

Foi naquele momento que entendi o real motivo de estarmos frequentando aulas de natação nos últimos anos. Ele estava nos preparando para aquele momento. Em minha mente muitas perguntas apareciam e desapareciam como se estivesse andando rápido em uma estrada cheia de neblina.


"Será que havia tubarões naquela região? Se entrar na água irei afundar? E o monstro do Lago Ness chega até aqui? Será que o ambiente irá me aceitar? Vou afundar e ser engolido por uma baleia?"

Esses e outros questionamentos fiz porque tinha o costume de ler muitos contos de fantasia e escutava muitas histórias dos pescadores na marina. Mas todas elas sumiram quando meu pai entrou no mar.

Foi o mesmo que se você cortasse a neblina e em seguida sua visão enxergasse mais distante.

Não lembro exatamente bem como eu e meu irmão entramos no mar, mas a sensação do coração batendo forte no peito e daquele dia, é algo que jamais irei esquecer.

Todos os dias enfrentamos desafios em nosso trabalho. Talvez hoje seja o seu primeiro dia no emprego e esteja se perguntando se "o ambiente irá me aceitar?" ou se "existe algum mostro marinho?".

Lembre-se que as suas decisões e a sua vida lhe conduziram até aquele local, e que neste momento você tem de apenas lembrar do seu coração, porque é ele que está batendo forte para você prosseguir.